Seja Bem Vindo, 01 de Maio de 2026.
Peixoto de Azevedo - MT
Notícias
Estado
Cabo afirma que coronel repassou números a serem grampeados
Gerson Correa acusou ex-comandante-geral da PM de chefiar o esquema desde o seu início
Publicado em: 19/10/2017 ás 14:07:00 Autor: Mídia News Fonte: Mídia News
Foto Por: Mídia News

O cabo PM Gérson Correa, réu na ação penal que apura o escândalo dos grampos ilegais operado em Mato Grosso, acusou o ex-comandante da corporação, coronel Zaqueu Barbosa, de comandar o esquema “desde o seu início”. Segundo ele, era o ex-comandante quem lhe repassava os números de telefones que deveriam ser grampeados.

 

Zaqueu está preso desde o dia 23 de maio, no Batalhão de Operações Especiais (Bope), em Cuiabá, acusado de liderar as escutas clandestinas. Ele nega a acusação.

 

A informação foi repassada durante interrogatório prestado pelo cabo, na segunda-feira (16), aos delegados Flávio Stringueta e Ana Cristina Feldener, que conduziam as investigações das interceptações clandestinas.

 

O militar resolveu delatar o esquema dos grampos e colaborar com as investigações. 

 

No depoimento, Gérson Correa revelou que ouviu o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, dizer que o interesse dos grampos era “estritamente político”. As escutas ilegais ocorreram durante a campanha de 2014 para o Governo do Estado.

 

Segundo ele, os alvos eram adversários do então candidato Pedro Taques (PSDB).

 

"Os números foram passados pelo coronel Zaqueu, que me orientou a fazer o acompanhamento online dessas pessoas durante o período que antecedeu o pleito eleitoral de 2014", disse.

 

Gérson Correa revelou também que o coronel o incumbiu de somente ele escutar os "alvos políticos", "devendo lhe repassar qualquer situação suspeita que ouvisse".

 

O policial afirmou, ainda, que o monitoramento dos telefones teve fim em outubro de 2015, depois que o coronel Zaqueu disse ter sido interrogado pelo ex-secretário de Segurança Pública (Sesp-MT), promotor de Justiça Mauro Zaque, sobre a existência do esquema de interceptações clandestinas.

 

O documento com as declarações do cabo foi encaminhado ao desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça, relator do inquérito relativo aos grampos.

 

“Informamos à Vossa Excelência que hoje foi realizado o interrogatório do cabo PM Gerson Luiz Ferreira Correa Júnior, o qual nos relatou informações que foram negociadas em tratativas de colaboração premiada, cujo trâmite rigoroso exigido pela lei 12.850/2013 não pode ser seguido devido à decisão do STJ, avocando os procedimentos investigatórios em curso nesta instância”, cita o documento.

 

A citação faz referência à decisão proferida na última semana, pelo ministro Mauro Campbell Marques, que acolheu pedidos feitos pelo governador Pedro Taques (PSDB) e pela Procuradoria Geral da República, assumindo todos os procedimentos investigatórios relacionados à prática de escutas ilegais.

 

Com a decisão do ministro, todos os procedimentos foram encaminhados para o STJ, onde a delação do cabo Gérson deverá ou não ser homologada.

 

Escutas ilegais

 

A denúncia sobre a rede de grampos foi feita no início deste ano, ao Ministério Público Federal (MPF), pelo promotor Mauro Zaque, ex-secretário de Estado de Segurança Pública.

 

Zaque disse que recebeu uma denúncia anônima, com documentos, que evidenciavam a prática ilegal.

 

Segundo ele, a denúncia foi levada ao conhecimento a Pedro Taques, em setembro de 2015. O governador, por sua vez, negou ter conhecimento do caso e entrou com um processo contra o promotor.

 

O esquema funcionaria por meio da chamada "barriga de aluguel", quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

 

No caso da denúncia, teria sido usado um inquérito que investigava uma quadrilha de traficantes de cocaína.

 

Ao pedir a quebra dos sigilos telefônicos dos supostos membros da quadrilha, teriam sido inseridos, ilegalmente, na lista encaminhada à Justiça, os telefones que interessariam ao grupo monitorar.

 

A decisão que autorizou as escutas contra a quadrilha seria da Comarca de Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá).

 

Entre os grampeados estariam a deputada Janaina Riva (PMDB); o advogado José do Patrocínio; o desembargador aposentado José Ferreira Leite; os médicos Sergio Dezanetti, Luciano Florisbelo da Silva, Paullineli Fraga Martins, Hélio Ferreira de Lima Júnior e Hugo Miguel Viegas Coelho.

  • Tags:
  • Grampos
©2026 - Resumo Diário - Todos os direitos reservados.