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Delegado diz que quadrilha agia enquanto muitos morriam na fila do SUS em MT; veja atuação de cada alvo de operação
Conforme o delegado, muitas pessoas foram prejudicadas pela falta de atendimento em decorrência de desvios de recursos públicos da saúde.
Publicado em: 19/12/2018 ás 13:47:00 Autor: Olhar Cidade Fonte: Olhar Cidade
Foto Por: Divulgação

 

O delegado responsável pela segunda fase da Operação Sangria, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (18), Lindomar Aparecido Tofoli, afirmou que organização criminosa que montou um esquema para monopolizar a saúde no Estado de Mato Grosso, por meio de serviços médicos hospitalares, é formada por pessoas que "desprezam o valor da vida humana".

 

"Pedimos apoio da população para transformar essa calamidade que é a saúde pública de Mato Grosso. Aquelas pessoas que foram prejudicadas, que tiveram parentes que morreram por falta de atendimento nos hospitais, que denunciem para que possam ser punidas com rigor essas pessoas que desprezam o valor da vida humana", orientou o delegado.

 

Foram presos Huark Douglas Correia da Costa, ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Fábio Liberali Weissheimer, médico e sócio da Pró-Clin, Adriano Luiz Sousa, empresário e advogado, Kedna Iracema Fonteneli Servo, Celita Liberali, Luciano Correa Ribeiro, médico e sócio da Pró-Clin, e Fábio Alex Taques. O secretário adjunto de Gestão de Saúde de Cuiabá, Flávio Taques, segue foragido.

Conforme o delegado, muitas pessoas foram prejudicadas pela falta de atendimento em decorrência de desvios de recursos públicos da saúde e pela atuação da organização criminosa que impede que outras pessoas qualificadas possam exercer a função em trabalhar para atender a população.

 

"Quantas vidas já foram ceifadas e quantos continuarão morrendo em hospitais públicos pelo descaso e pela ambição dessa organização criminosa, na maioria formada por médicos e que, na verdade, em vez de salvar vidas estão única e exclusivamente preocupados em ganhar dinheiro de todas as formas possíveis, levados por ambição desenfreada, sem qualquer tipo de escrúpulos e consideração pela vida humana", destacou o delegado.

 

Os alvos da segunda fase, entre eles três médicos, um gerente de licitação, um coordenador financeiro e funcionários das empresas prestadoras de serviços médicos hospitalares, são investigados em crimes de obstrução à Justiça praticada por organização criminosa e coação no curso do processo.

 

 

A operação apura irregularidades em licitações e contratos firmados com as empresas Proclin, Qualycare e a Prox Participações, firmados com o município de Cuiabá e o governo estadual.

 

Um segundo inquérito policial foi aberto no dia 14 de dezembro depois que a Polícia Civil detectou que os investigados estavam obstruindo o trabalho da Justiça.

 

Veja qual a participação de cada um, conforme pedido de prisão:

Huark Douglas Correia da Costa

Principal articulador e líder da organização criminosa que atua nas frentes de cargos políticos importantes para proporcionar o direcionamento das licitações e serviços de saúde para as empresas Proclin, Prolabore, Qualycare. É sócio de fato dessas empresas, junto com os sócios acionistas Luciano Correa, Marcus Godoy e Fábio Liberali, havendo fortes indícios de organização criminosa, fraudes a licitações, corrupção e lavagem de dinheiro. Atualmente, é o administrador do principal fornecedor do Hospital Municipal São Benedito, mas após as denúncias realizadas na Câmara Municipal de Cuiabá e as recentes medidas cautelares de busca e apreensão deflagradas pela Defaz passou a emitir ordens para seus colaboradores (Kedna, Fábio Taques, Flávio Taques, Adriano e Celita) destruírem provas.

 

Luciano Correa Ribeiro

Um dos principais integrantes da organização criminosa, pois é sócio acionista das referidas empresas ao lado de Marcus Godoy e Fábio Liberali e do sócio de fato Huark Douglas da Costa, havendo fortes indícios da prática de organização criminosa, fraudes a licitações, corrupção e lavagem de dinheiro. Também há indícios de que Luciano Correa é responsáveis por captação de novos serviços e ajudava na organização da gestão administrativa e financeira do grupo, ou seja, responsável pelas decisões.

 

Fábio Liberalli Weissheimer

Acionista das empresas ligadas ao grupo, junto com Marcus Godoy e Luciano Correa, sendo responsáveis por captação de novos serviços. Ajudavam na organização da gestão administrativa e financeira do grupo, ou seja, tomavam as decisões. Recentemente, segundo declarações de uma funcionária da empresa Proclin, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, confessou à autoridade policial que após as denúncias realizadas na Câmara Municipal, Fábio Liberalli recolheu documentos (papéis picados), acondicionados em um saco plástico, não sabendo a destinação.

 

 

Celita Natalina Liberalli

 

Suspeita de integrar a organização criminosa, é mãe de Fabio Liberalli, pessoa de extrema confiança do grupo, pois é a principal responsável por gerir o dinheiro para pagamento de todas as situações relacionadas à organização, inclusive, com relatos de que ela também efetivada o pagamento das propinas em prol das empresas permanecerem com serviços superfaturados nos hospitais. Segundo uma funcionária da Proclin, esta investigada também tem o controle de repasse dos lucros para cada um dos sócios das empresas, havendo fortes indícios de participação em crime de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

 

Adriano Luiz Sousa

É um dos principais administradores da empresa Proclin, responsável por contratar uma testemunha que contribuiu com as investigações e informou que Adriano teria dado a orientação para deletar de seu computador qualquer documento que fizesse referência ou constasse o nome do acionista Huark, o que indica que seja outro funcionário a serviço dos interesses ilícitos da organização criminosa, liderada por Huark.

 

Kedna Iracema Fonteneli Servo

Também funcionária de Huark Douglas, estaria envolvida na organização criminosa, ciente das práticas ilícitas do grupo, executora das ordens de destruição de provas. Segundo declarações de uma testemunha, Kedna lhe pediu que juntasse todos os documentos alusivos a Huark e entregasse para que ela os repassasse a Adriano. Afirmou que foi dada ordem aos setores da empresa para que buscassem documentos e arquivos que faziam referência a Huark, que descartassem tais documentos; que alguns documentos foram picotados na máquina de papel, outros arquivos deletados dos computadores e outros documentos retirados da empresa.

 

Fabio Alex Taques Figueiredo

Foram mencionados nas declarações de uma testemunha como sendo responsável por gerenciar as ações do grupo, havendo fortes indícios de que estão articulando a destruição de provas. Segundo a testemunha "ao ser indagada pela autoridade policial acerca dos arquivos e documentos em nome dos acionistas e reais proprietários do grupo Prox, após contar os fatos para a polícia, disse que foi chamada na receptação por Fabio Taques e este de forma irônica disse a Kedna "estranho fazer busca na sua casa e na minhão não" quando então Kedna respondeu: "tudo se justifica, está tudo respondendo, ironicamente, com olhar fixo na depoente". Tais declarações indicam que os indiciados Fabio Taques, Flavio Taques e Kedna, a serviço da organização criminosa, soltos, poderão intimidar as testemunhas (funcionários) que contribuíram efetivamente com as investigações, já que a testemunha afirmou que Fabio E Kedna a deixaram insegura por ser empregada da empresa e tê-los desagradados contanto os fatos para a polícia.

 

 

Flávio Alexandre Taques da Silva

 

É suspeito de integrar a organização criminosa responsável, ao lado do irmão Fábio, por gerenciar as ações do grupo, havendo fortes indícios de que estão articulando a destruição de provas. De acordo com as declarações de uma testemunha, Flávio Taques, atendendo os interesses da organização criminosa, estaria dificultando a apuração do levantamento dos serviços prestados pelos contratualizados, retirando servidores que têm informações da contratualização e fornecimentos de medicamentos e mandando eles para o CEDMIC - ALMOXARIFADO na região do Bairro Coxipó, que fica isolado da administração da SES/MT.

 

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