Notícias
Estado
O jeito que Percival escolheu foi comprar gado e investir na compra de terras. Sua parcela no esquema foi de R$ 1,75 milhão, apontou a investigação. Ele comprou 1,7 mil cabeças de garrotes da raça Nelore, da pessoa de Odair Resende, pelo valor total de R$ 1,5 milhão. Contudo, foi emitida nota fiscal no valor de R$ 765 mil, sendo que R$ 700 mil foram pagos mediante quatro ordens de pagamento da Bandeirantes, realizadas em 27 e 28 de maio de 2009. Eram duas ordens no valor de R$ 100 mil e outras duas no valor de R$ 250 mil cada.
Além disso, o MPE conta que Percival também utilizou R$ 500 mil, oriundos de outras duas ordens de pagamento da Bandeirantes, no valor de R$ 250 mil cada, para o pagamento de parcela da compra de uma fazenda das pessoas de Rômulo Vicente de Moura e Rodolfo Valentino José de Moura.
Por fim, em 14 de maio de 2009, o ex-parlamentar teria, “mediante triangulação efetivada em conluio com os proprietários da empresa”, determinado a emissão de mais duas ordens de pagamento por parte da Bandeirantes, somando R$ 450 mil, para a empresa Agropastoril Cedrobon Ltda, de propriedade de Nuria Alves de Oliveira, como parcela do pagamento pela aquisição de uma área de 2.250 hectares no município de Colniza.
O MPE relata que em nenhuma dessas operações Percival declarou o recebimento de valores da empresa Bandeirantes. Ele determinava a seus corruptores que entregassem os cheques ou ordens de pagamento diretamente aos seus credores, ocultando e dissimulando o recebimento dos valores recebidos pela prática dos crimes.
A denúncia também detalha que Emanuel Gomes Bezerra Júnior ficou com R$ 750 mil por conta do esquema na Sefaz. Desse total, ele teria usado R$ 500 mil para adquirir instalações físicas da empresa Candorio Peças e Serviços. O valor foi pago cheques da Bandeirantes. Contudo, por problemas na matrícula, o negócio foi desfeito e o valor foi devolvido por Marcilene Sales Tortola (proprietária do imóvel) ao denunciado, “dissimulando, assim, a origem dos valores”. Os R$ 250 mil restantes foram entregues a terceiros, bem como aplicados na aquisição de tratores.
Por fim, a denúncia diz que Eder Morais Dias se beneficiou com R$ 200 mil, dos quais R$ 60 mil teriam sido utilizados para pagar uma dívida de R$ 60 mil relativa a viagens pessoais contratadas com a empresa Today Tour Viagens e Turismo Ltda.
Para tanto, um cheque de R$ 100 mil foi repassado pela Bandeirantes à agência de viagens, que devolveu, em espécie, R$ 40 mil a Eder. Com outro cheque de R$ 100 mil, o então secretário, que à época era membro da diretoria do Mixto Futebol Clube, realizou o pagamento de filmagens de jogos do clube à empresa Gilney Silva Espírito Santo ME.
O esquema
O órgão ministerial apurou que o desvio foi viabilizado pelo processo fraudulento de restabelecimento econômico financeiro envolvendo contratos firmados entre a Sefaz e a empresa Bandeirantes Construções e Terraplanagem Ltda, no ano de 2005. Por conta desse esquema, o MPE ofereceu denúncia contra Percival, o ex-secretário estadual de Fazenda, o ex-procurador-geral do Estado João Virgílio e o ex-secretário adjunto de Gestão da Sefaz Emanuel Gomes Bezerra Júnior.