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acordo com a Polícia Militar, por volta das 20 horas recebeu uma denúncia anônima de que em um local onde residia uma família indígena, a avó teria enterrado a própria neta, uma recém-nascida, por volta das 14 horas, com o consentimento da mãe. “Não sabíamos se estava vivo ou morto, mas fomos procurar no local”, disse o major.
João Paulo ainda acrescentou que “no local encontramos a família, com algumas mulheres e eu consegui a informação que a avó realmente havia enterrado o bebê. Ela indicou o local para nós e disse que o bebê havia nascido prematuro e já morto, e por isso haviam enterrado e não chamado nenhuma autoridade”, explicou.
“Pelo horário que ela nos mencionou, ela [recém-nascida] teria sido enterrada duas horas da tarde. O denunciante também havia dito por volta das quatro horas. Já era oito horas da noite e todas as nossas esperanças já tinham até esgotadas. Ninguém imaginava que esse bebê ainda pudesse estar vivo”, lembrou.
Foi realizado o isolamento da área e acionada a Polícia Judiciária Civil. A Perícia Técnica (Politec) aguardava a localização do corpo para se deslocar até o local. Os militares então começaram a cavar e os policiais perceberam o choro da criança.
“Percebemos um choro vindo da terra e percebemos que tinha vida. Começamos a escavar mais rápido. Dali, nem aguardamos a chegada da ambulância e levamos o bebê imediatamente ao hospital”. No hospital do município, a criança teve o diagnóstico de duas fraturas no crânio.
Posteriormente, ela foi encaminhada ao Hospital de Água Boa, onde o médico constatou quadro clínico estável e apenas uma leve deficiência respiratória. “Nunca acreditávamos que essa criança estava viva. Passamos realmente a acreditar em um milagre, pois ela ainda foi tirada com vida daquele buraco”, comemorou.
Ao Olhar Direto, o policial disse que mãe da bebê contou que ela teria nascido morta e por isso decidiram enterrá-la, como mandaria a tradição da etnia. Porém, a avó disse que o pai não iria assumir a criança e já estaria morando em outra aldeia, onde tinha relacionamento com outra mulher.
Por conta disto, as duas suspeitas foram detidas e encaminhadas para a delegacia. Antes, a indígena de 15 anos foi encaminhada para o hospital, onde passou por atendimento, já que havia dado à luz poucas horas antes.
O fato foi registrado como homicídio doloso tentado, quando é a vontade livre e consciente de concretizar as elementares do tipo, de eliminar a vida humana, sem qualquer finalidade específica. A Polícia Civil deverá dar continuidade as investigações.
O caso
Uma criança indígena recém-nascida foi enterrada viva, na última terça-feira (05), e resgata por equipes das polícias Civil e Militar. O fato foi registrado na cidade de Caranana (879 quilômetros de Cuiabá). Segundo as informações iniciais, a própria avó teria sido responsável por enterrá-la, já que a mãe teria se envolvido com um índio de outra etnia.