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Tal valor é parte da projeção atuarial da previdência de todos os Poderes. Mais de 90% deste valor vem do poder Executivo, no volume de R$ 50 bilhões, os demais R$ 7 bilhões são o resultado da soma do prejuízo previdenciário previsto do Tribunal de Justiça (TJMT), Ministério Público (MP), Assembleia Legislativa (ALMT), Tribunal de Contas (TCE) e Defensoria Público (DP).
Documento que a reportagem do jornal A Gazeta teve acesso mostra que apenas o Tribunal de Justiça registra um deficit atuarial de R$ 3.571.397.694,59. O que significa dizer que, para pagar todos os aposentados e aqueles que ainda vão se aposentar, a corte estadual precisará de mais R$ 3,5 bilhões nos próximos anos. Todas as informações, incluindo da previdência dos poderes, foram levantadas a partir de dados de 2017.
A análise foi feita pela empresa Exacttus Consultoria Atuarial Ltda, contratada pelo governo do Estado. É a primeira vez que os poderes serão inclusos no levantamento. Na prática, nenhum deles participa do MT Prev, regime de previdência do Estado criado em 2014 e que deveria ser centralizado.
Outra forma de analisar o deficit do Estado é através do prejuízo do exercício, pelo chamado "deficit previdenciário financeiro", que é calculado sem qualquer projeção. Dados da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) dão conta de que apenas o governo do Estado, através do MT Prev, fechou 2018 com um deficit financeiro R$ 1,158 bilhão.
O deficit é provocado principalmente porque o quadro atual mostra insuficiência na proporção de servidores ativos para cada aposentado e pensionista. Em síntese, os ativos pagam a aposentadoria dos demais. Assim, quanto maior o número de servidores ativos e menor o número de aposentados, melhor é o cenário. Atualmente, para cada servidor aposentado existe um servidor ativo.
O cenário ideal, considerado "confortável" por especialistas, é o de que existam pelo menos mais de 10 servidores ativos para cada um que se aposentou. Em linhas gerais, o Estado possui 52.140 servidores ativos com vínculos efetivos, 26.627 aposentados e 6.693 pensionistas, segundo informações da Controladoria Geral do Estado (CGE).
Como não consegue se manter com a contribuição dos servidores, o MT Prev acaba dependendo de repasses do Tesouro Estadual. Os resultados das avaliações da empresa contratada para analisar os deficits previdenciários de cada poder estão sendo colhidas pela Sefaz e devem ser enviados na prestação de contas anual ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).
O secretário de Fazenda, Rogério Gallo alertou, em fevereiro, sobre o atraso da remessa de informações previdenciárias do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Gallo explicou que, caso as informações não tivessem sido repassadas, o TCE poderia responsabilizar o TJMT por não prestar informações. "Caso não seja efetuado o registro solicitado, não teremos como agir de forma diversa senão fazer constar nas Notas Explicativas da prestação de contas anual a informação de qual Poder ou Órgão Autônomo não fez constar a sua parcela no deficit atuarial previdenciário em seus registros", informou o secretário.
De acordo com a assessoria de imprensa do TJMT, os dados foram repassados regularmente e o deficit atuarial não representa, por si só, uma complicação financeira para o órgão, já que se trata de uma projeção para as próximas décadas. Atualmente a alíquota de contribuição dos servidores do poder executivo e judiciário é de 11%, enquanto a parte patronal - do governo do Estado e do Tribunal de Justiça - é de 22%. Aliás, são os únicos poderes que praticam essa porcentagem. Já a Assembleia Legislativa estabeleceu que a contribuição na previdência patronal seja de 11%, mesmo valor que é recolhido dos seus funcionários.
Este é um dos principais entraves para que o Legislativo entre para o MT Prev, fazendo que o Estado passe a ter uma única unidade gestora previdenciária. Nos bastidores, a ida da Assembleia para o MT Prev passa por uma negociação orçamentária, já que, com a adesão, o Poder Legislativo precisaria aumentar a sua contribuição para 22% como os demais poderes.
Os parlamentares defendem que, com o aumento da alíquota patronal, aumentaria as despesas e por isso seria necessário um aumento no duodécimo. Assim como os demais órgãos e instituições. Outro argumento da Assembleia é que com o aumento da alíquota, o parlamento estadual poderá estourar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
O MT Prev foi criado em 2014 para se tornar a única unidade gestora da previdência no Estado, conforme estabelece a Constituição Federal. Porém, em 2016, o TJ concedeu uma liminar através de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) proposta pela Associação Mato-Grossense de Magistrados (Amam). Com isso, o Judiciário impediu que a folha de pagamento dos magistrados aposentados e/ou pensionistas ficas se a cargo do próprio Judiciário e não do MT Prev.
Um dos principais argumentos do Judiciário é que o MT Prev feriria a autonomia dos Poderes. A liminar é utilizada até pela Assembleia, Ministério Público, Tribunal de Contas e Defensoria Pública.