Notícias
Política
Dos três representantes de Mato Grosso no Senado, dois contribuíram para a derrota do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na votação do decreto que facilitaria o porte de armas de fogo no Brasil. Os senadores Jayme Campos (DEM) e Wellington Fagundes (PR) votaram a favor do parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que pede a suspensão dos decretos editados por Bolsonaro.
No total, foram 47 votos pela derrubada do decreto contra 28 a favor durante votação realizada na noite desta terça-feira (18). A partir de agora, matéria seguirá para a Câmara dos Deputados.
Já a senadora Selma Arruda, também da bancada mato-grossense e correligionária do presidente, votou contra o parecer para que o decreto fosse mantido. Porém, ela foi voto vencido juntamente com outros 27 senadores.
As regras previstas nos decretos continuarão valendo até que a Câmara vote o tema. Caso os deputados federais votem pela suspensão dos decretos, eles perdem a eficácia. O presidente ainda tem esperança de que a votação seja favorável na Câmara dos Deputados. “Esperamos que a Câmara não siga o Senado, mantendo a validade do nosso Decreto, respeitando o Referendo de 2005 e o legítimo direito à defesa”, disse ele em publicação no Twitter.
Foram cerca de três horas de discussão no plenário acerca do parecer da CCJ. Durante o debate, 10 senadores favoráveis aos decretos e 10 contrários puderam discursar por três minutos cada um. Ao final, o resultado da votação a favor do parecer da Comissão de Constituição e Justiça foi anunciado.
Dentre as principais medidas do decreto assinado no dia 7 de maio deste ano por Bolsonaro estão: permissão para o proprietário rural com posse de arma de fogo utilizar a arma em todo o perímetro da propriedade, quebra do monopólio da importação de armas no Brasil, permissão para colecionadores, atiradores desportivos e caçadores poderem ir de casa ao local de tiro com a arma com munição.
Permite ainda que praças das Forças Armadas com 10 anos ou mais de experiência terão direito ao porte de arma e permite a compra de até mil cartuchos por ano, quantidade que atualmente é limitada a até 50 cartuchos por ano.
Em janeiro, ao tomar posse como presidente, Jair Bolsonaro já havia assinado um decreto flexibilizando a posse de armas de fogo no país.
O direito à posse é a autorização para manter uma arma de fogo em casa ou no local de trabalho. Já o direito ao porte de arma, ou seja, que permite a pessoa andar com uma arma na rua prevê regras mais rigorosas.
Desde então os decretos vêm causando polêmicas no Brasil inteiro. Inclusive, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, órgão que integra o Ministério Público Federal, elaborou nota técnica afirmando que o novo decreto das armas assinado em maio agravou as ilegalidades do texto original e manteve a possibilidade de que qualquer cidadão compre, registre e tenha a posse de fuzis.
De um lado, institutos de pesquisa da violência e especialistas no tema criticam a medida argumentando que as novas regras vão aumentar o acesso a armas, a venda no mercado negro e os homicídios. Por outro lado, fabricantes de armas defendem os decretos sob argumentos de que se tratam de garantias de legítima defesa.
Veja como votaram os senadores de todos os Estados:
SIM (Contra os decretos que flexibilizam o porte de armas)
- Eliziane Gama (Cidadania-MA)
- Alessandro Vieira (Cidadania-SE)
- Álvaro Dias (Podemos-PR)
- Eduardo Girão (Podemos-CE)
- Oriovisto Guimarães (Podemos-PR)
- Romário (Podemos-RJ)
- Rose de Freitas (Podemos-ES)
- Styvenson Valentim (Podemos-RN)
- Antonio Anastasia (PSDB-MG)
- Mara Gabrilli (PSDB-SP)
- José Serra (PSDB-SP)
- Plínio Valério (PSDB-AM)
- Rodrigo Cunha (PSDB-AL)
- Tasso Jereissati (PSDB-CE)
- Mecias de Jesus (PRB-RR)
- Cid Gomes (PDT-CE)
-Weverton (PDT-MA)
- Kátia Abreu (PDT-TO)
- Wellington Fagundes (PR-MT)
- Daniella Ribeiro (PP-PB)
- Esperidião Amin (PP-SC)
- Jorge Kajuru (PSB-GO)
- Leila Barros (PSB-DF)
- Veneziano (PSB-PB)
- Fabiano Contarato (Rede-ES)
- Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
- Flávio Arns (Rede-PR)
- Humberto Costa (PT-PE)
- Rogério Carvalho (PT-SE)
- Jaques Wagner (PT-BA)
- Jean Paul Prates (PT-RN)
- Paulo Paim (PT-RS)
- Paulo Rocha (PT-PA)
- Confúcio Moura (MDB-RO)
- Eduardo Braga (MDB-AM)
- Renan Calheiros (MDB-AL)
- Jarbas Vasconcelos (MDB-PE)
- José Maranhão (MDB-PB)
- Marcelo Castro (MDB-PI)
- Simone Tebet (MDB-MS)
- Otto Alencar (PSD-BA)
- Omar Aziz (PSD-AM)
- Jaime Campos (DEM-MT)
- Rodrigo Pacheco (DEM-MG)
- Renilde Bulhões (Pros-AL)
- Zenaide Maia (Pros-RN)
- Reguffe (Sem partido-DF)
NÃO (a favor de manter os decretos)
- Flávio Bolsonaro (PSL-RJ)
- Major Olímpio (PSL-SP)
- Juíza Selma (PSL-MT)
- Soraya Thronycke (PSL-MS)
- Angelo Coronel (PSD-BA)
- Arolde de Oliveira (PSD-RJ)
- Lucas Barreto (PSD-AP)
- Carlos Viana (PSD-MG)
- Nelsinho Trad (PSD-MS)
- Chico Rodrigues (DEM-AP)
- Marcos Rogério (DEM-RO)
- Ciro Nogueira (PP-PI)
- Luiz Carlos Heinze (PP-RS)
-Vanderlan Cardoso (PP-GO)
- Mailza Gomes (PP-AC)
- Elmano Férrer (Podemos-PI)
- Lasier Martins (Podemos-RS)
- Izalci Lucas (PSDB-DF)
- Roberto Rocha (PSDB-MA)
- Jorginho Mello (PL-SC)
- Marcos do Val (Cidadania-ES)
- Telmário Mota (Pros-RR)
- Márcio Bittar (MDB-AC)
- Luiz do Carmo (MDB-GO)
- Dario Berger (MDB-SC)
- Eduardo Gomes (MDB-TO)
- Fernando Bezerra (MDB-PE)
- Zequinha Marinho (PSC-PA)