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O ex-deputado estadual Adalto de Freitas Filho (“Daltinho”) pediu recuperação judicial para suas empresas em novembro de 2018, após desistir de se candidatar à reeleição, sob boatos de que teria negociado sua base eleitoral na região do Araguaia com o pai da deputada Janaina Riva. Nesta terça (29) o pedido foi deferido pela Justiça de Barra do Garças.
Segundo Daltinho a divida é de R$30 milhões para seu grupo empresarial que tem como empresa-mãe a Motogarças Veículos, e ainda o Hotel San Lourenzo, as fazendas Bela Formosa e Águas do Xingu (que arrenda) e a Prestal Serviços. Grupo tem por sócios os filhos Adalto e Larissa Limongi.
Entre os credores da Motogarças Veículos está o Banco da Amazonia (R$5,6 milhões), Banco do Brasil (R$5,4 milhões), Caixa Econômica Federal (R$5,4 milhões), o amigo Jovelino Dallabrida (R$2,6 milhões), e até a própria esposa, Lilian Karla Caetano Azevedo (R$50mil). O amigo Jovelino recebeu das mãos do então deputado o título de “Cidadão Mato-grossense” em 2009. Mas a maior preocupação de Daltinho é a dívida com a Moto Honda da Amazônia (R$1,3 milhão).
Segundo o pedido apresentado à Justiça serão 108 trabalhadores que ficarão desempregados. O Grupo Motogarças começou a revender motocicletas Honda no ano de 2000 e chegou a 16 filiais (10 mato-grossenses e 6 goianas), mas a partir de 2013 a expansão refluiu e chegou às 4 lojas atuais. O Grupo que faturava R$80 milhões gira hoje em torno de R$25 milhões. A Justiça concedeu o que o grupo queria: Vender motos Honda (a montadora suspendeu o fornecimento devido à falta de pagamento).
Curioso que o ex-deputado, que sempre teve suas campanhas bancadas pelo próprio Grupo Motogarças, viu seu patrimônio pessoal crescer justamente durante o período ruim para suas empresas. Isso porque enquanto seus negócios empresariais encolheram 70% o seu patrimônio cresceu 55% entre os anos de 2014 e 2018, passando de R$9,9 milhões para R$15,4 milhões, declarados à Justiça Eleitoral.
Delatado
O ex-goveranador Silval Barbosa chegou a delatar Daltinho, acusando-o de gravar conversas sobre propinas para fazer chantagem em troca de benefícios pessoais, entre eles, a manutenção do mandato de deputado, já que ocupava a vaga como suplente. Nestes encontros na sede do Legislativo, de acordo com Silval, os deputados debatiam como iriam conseguir mais vantagens indevidas no governo.
“Tal reunião foi gravada pelo deputado Adauto de Freitas, vulgo Daltinho, que passou a chantagear os deputados estaduais da época usando tal gravação para manter-se no mandato, pois ele era suplente na época”, diz trecho da delação.
Após as chantagens e gravações, os deputados Romoaldo Júnior (PMDB), Mauro Savi (PSB) e do ex-deputado José Riva (sem partido), que comandavam a Assembleia Legislativa no período, além de Gilmar Fabris (PSD), Baiano Filho (PMDB), Wagner Ramos (PR) e Dilmar Dalbosco (DEM) foram até o Palácio Paiaguás exigindo participações nas obras da Copa do Mundo.
Após as cobranças, Barbosa disse ter passado para alguns dos deputados percentuais de obras do programa MT Integrado. Os parlamentares receberam entre 3% e 4% dos contratos com empreiteiras. “Ficou estipulado o valor de R$ 600 mil reais por deputado, sendo que Silvio tem uma lista contendo os valores repassados a cada um", delatou Silval.