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As delegadas Ana Cristina Feldner e Jannira Laranjeira, que conduzem as investigações sobre a Grampolândia Pantaneira, afirmaram na representação que fizeram contra o ex-secretário de Estado de Segurança Pública, o delegado Rogers Jarbas, que o delegado Rafael Mendes Scatolon foi afastado do caso por suspeita de tentativa de cooptação dele ao esquema, por Jarbas e pelo delegado Gustavo Garcia, que foi assessor de Rogers.
À época do afastamento uma foto em que Rafael e Gustavo aparecem juntos em um churrasco circulou nas redes sociais e dias depois o diretor da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, Mário Demerval, retirou Rafael do caso, justificando que seria para que fosse preservada a imagem dos delegados.
Na representação das delegadas, que resultou na aplicação de novas medidas cautelares ao ex-secretário Rogers Jarbas, elas afirmam que ele, de fato, integrou a organização criminosa responsável por realizar grampos ilegais em Mato Grosso, sendo que sua função seria proteger a organização criminosa.
Elas citam que em junho de 2017, quando foi instaurado o inquérito policial, quem conduzia as investigações eram os delegados Flávio Stringueta e Diogo Santana, e posteriormente passaram para a delegada Ana Cristina Feldner, já que Diogo pediu afastamento e Stringueta deixou a investigação por problemas de saúde.
Em outubro do mesmo ano o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que a investigação fosse conduzida pela Polícia Federal (PF), já que um dos envolvidos era Pedro Taques, à época governador do Estado.
Com a saída de Taques do cargo de governador, em maio deste ano iniciou o que as delegadas chamam de 2ª fase da investigação. A princípio era conduzida por três delegados, mas um deles, Rafael Scatolon, acabou sendo retirado do inquérito, por suspeita de tentativa de cooptação.
“Primeiramente conduzida pelos delegados Rafael Mendes Scatolon, Luciana Batista Canaverde e Jannira Laranjeira, sendo o primeiro afastado, existindo uma suspeita de tentativa de cooptação do investigado Rogers e por parte de Gustavo Garcia ao mesmo”, afirmam na representação.
Depois disso a delegada Ana Cristina Feldner retornou às investigações e houve a saída da delegada Luciana Canaverde.
A princípio, a Polícia Civil afirmou que a decisão de realocação do delegado Rafael Scatolon foi tomada pela Diretoria Geral da Polícia Civil, devido à carência de delegados na Delegacia Fazendária, após saída o delegado Marcelo Martins Torhacs, que foi para o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).
O diretor da PJC, Mário Demerval, negou que a mudança veio em decorrência de conflitos. Um tempo depois, no entanto, ele afirmou que a decisão foi tomada para que fosse preservada a imagem dos delegados.
“Não existiu absolutamente nada disso, infelizmente, por conta de uma fotografia acabou se criando um cenário totalmente equivocado, com uma imagem onde diversos delegados aparecem enfileirados, cada um em uma extremidade, isto não quer dizer absolutamente nada, tentaram denegrir a imagem do colega, tentaram macular a imagem dele como se houvesse algum tipo de relação que pudesse prejudicar a investigação, isso nunca procedeu, e a Polícia Civil, do início ao fim, sempre confiou no profissional e continuamos confiando, até porque ele foi para uma das delegacias mais importantes do Estado”, disse o diretor.