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O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de Mato Grosso (Sinepe), Gelson Menegatti, afirmou que as escolas particulares estão sentindo fortemente o impacto da crise do coronavírus e prevê 50% de inadimplência no pagamento de mensalidades.
A deputada estadual Janaina Riva (MDB) apresentou nesta semana um projeto de lei que obriga as instituições de ensino da rede privada a reduzirem a suas mensalidades durante o período de contingência do Estado, em virtude da Covid-19.
Mas o dirigente afirmou que o número de inadimplentes já cresceu e vai aumentar no curto prazo. Com isso, ele teme que algumas escolas fechem as portas.
“Já tem aumento na inadimplência. Não tenho os percentuais ainda. Já vínhamos com inadimplência de 15% a 20%, imagine agora. Tanto que tem escola que não está conseguindo pagar folha. Vai ter um aumento de 50%”, analisou Menegatti.
De acordo com o presidente do Sinepe, muitas instituições de ensino não estão conseguindo pagar os funcionários e algumas chegaram até a demitir. Ele avalia que isso irá causar um caos no setor de ensino.
“Tem escola que não está conseguindo pagar a folha esse mês. As escolas estão demitindo. Nós temos mais de 50 mil trabalhadores indiretos ou diretos no Estado. Fora as demais empresas que prestam serviço para as escolas. Vai ser um desarranjo muito grande na área educacional”, disse Menegatti.
Segundo Menegatti, o contrato firmado entre a instituição e os pais do aluno garante que a escola entregue 200 dias letivos e 800 horas de aula. Por isso, mesmo sem aula durante este período de pandemia, o tempo perdido será recuperado com reposições.
“A escola vai repor todo esse período parado. Se a gente fizer a contagem do dia 23 do mês passado até dia 30 de abril, vai dar 26 dias de diferença no calendário, que a escola tem plenas condições de repor no meio do ano, no final do ano e nos sábados. Então a escola vai trabalhar normalmente”, explicou.
Menegatti disse ainda que um dos argumentos para a redução da mensalidade é de que a escola irá economizar energia durante o tempo em que estiver fechada.
Porém, ele diz que essa diferença será recompensada com a reposição durante o período que seria de férias.
O sindicalista também afirmou que as unidades estão negociando com os pais que realmente têm necessidade de redução de mensalidade. Segundo ele, muitos responsáveis continuam recebendo o salário normalmente e estariam se aproveitando da situação.
Para ele, as instituições estão preocupadas com as famílias que são de trabalhadores informais e micro e pequenos empresários.
“Cada escola está negociando com cada pai, tentando achar uma alternativa daquele que realmente tiver necessidade e não o oportunismo. Nem todos vão ter redução de salário, nem todo mundo vai ficar desempregado”, apontou Gelson.